- Sabe Sarah, você é a mais bonita da sala.
- Mas é como eu te disse, se você quer sonhar com alguma coisa, é só você ir dormir pensando nela o tempo todo.
Era tipo requisito. Everson era bom nisso. Buscar garota na porta da escola. No caminho de volta tentar conquistá-la. Sarah queria ser valorizada, moça nova já querendo ser consagrada. Ele, o desbravador. Ela, a terra não conquistada.
O intento renderia a ele uma maria-mole cor-de-ouro no bar mais nobre, então mais frequentado. Uma proeza para seu reinado.
Sarah fez as honras, foi diplomática. Ele foi logo mostrando seu bloco econômico e ela de cara aderiu ao livre comércio.
No dia seguinte, a primeira dama oficial esbravejou. Na casa branca, no lençol branco não, meu amor. Aquilo não era sangue de moça, Everson argumentou. Que deu um chute na parede enquanto dormia, o dedo até quebrou.
Mas no hospital, em vez de engessar, o médico sentenciou: o Sr. é HIV positivo.
Everson despertou.
Mostrando postagens com marcador Éder Menegassi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Éder Menegassi. Mostrar todas as postagens
sábado, 26 de maio de 2012
A hora em que o sino toca
Postado por
escravos de jó
às
20:30
2
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
A hora em que o sino toca,
Éder Menegassi
terça-feira, 10 de abril de 2012
Estopim da fiel
Durante a semana quase nada. Pra se aproveitarem mesmo só o fim de semana.
Só briga o fim de semana.
Ele cana. Ela dama.
Ela samba. Ele fama. Cachorro, safado, sacana.
Ele mama. Ela engana. Faz que vai mas não vai, descansa.
Ele mirabola, arquiteta, devana.
Ela desmerece, desaprova, desabona. Pra fora daqui, reclama.
Ele pela janela o barraco inflama.
Segunda-feira, o perito questiona:
Brigou com o marido?
Dotô, faltava fogo na cama...
Terça-feira, o delegado:
Tá aqui por quê, cidadão?
Dotô, pus fogo na cama!
Só briga o fim de semana.
Ele cana. Ela dama.
Ela samba. Ele fama. Cachorro, safado, sacana.
Ele mama. Ela engana. Faz que vai mas não vai, descansa.
Ele mirabola, arquiteta, devana.
Ela desmerece, desaprova, desabona. Pra fora daqui, reclama.
Ele pela janela o barraco inflama.
Segunda-feira, o perito questiona:
Brigou com o marido?
Dotô, faltava fogo na cama...
Terça-feira, o delegado:
Tá aqui por quê, cidadão?
Dotô, pus fogo na cama!
Postado por
escravos de jó
às
20:47
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Éder Menegassi,
Estopim da fiel
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Nada a vê
Mas hoje, menina, até que eu tô animada, viu... a patroa comprou uma televisão daquelas grande, ai, é uma beleza! Ponho a tábua lá na sala e vô passando as roupa, fico a tarde inteira lá, nem vejo o tempo passar.
Cláudia respondeu dessa forma à colega de condução, a qual se queixava, no instante anterior, das adversidades que enfrentavam para chegar ao local de trabalho. Além dessa porra de ônibus lotado ainda vem essa chuva do caralho pra ajudá. Esbravejava ela num tom capaz de alcançar os ouvidos dos mais de 180 passageiros da linha 3407 Term. Pq D. Pedro, inclusive aos ouvidos dos mais sonolentos, os quais lançavam em sua direção olhares que diziam, cala a boca que eu quero dormir.
A colega absorveu todos os olhares e com eles maquinou. Numa fração de segundos, os fermentou no
caldo da suspeita e da inveja para em seguida atirá-los sobre Cláudia, como se Cláudia insinuasse levar qualquer superioridade ou vantagem daquela situação.
Não era isso, Cláudia não era assim.
Ambas perceberam que na história da amizade entre elas, que talvez começasse ali, nada mais se registraria além disso.
Pouco importava. Tão logo Cláudia chegou a essa conclusão, tratou de ir para o fundo do coletivo, já que dali a alguns pontos chegaria sua vez de desembarcar. Não ter que ir até o centro da cidade, sim, era uma vantagem. Não perderia horas no trânsito e, o melhor, conseguia ver do começo todos os programas.
A caminhada do ponto até a casa da patroa foi ansiosa. Ela tinha uma cópia da chave, foi logo entrando.
Nenhum dos moradores estava em casa, todos já haviam saído para trabalhar. Porém, qual não foi sua surpresa ao perceber que havia sobre a rack um aparelho de tv a cabo. Instintivamente Cláudia pensou, como é que eu vou limpar isto? Será que pode passar lustra-móveis?
Se preparar para fazer o serviço era um ritual e ligar a tv era o primeiro passo.
Ligou, deu tela azul. Pensou que deveria ligar o novo aparelho e o fez, mas a tela continuou melancólica. Cláudia já não sabia o que fazer e resolveu dar início à labuta.
Durante o dia, todas as suas investidas para fazer a tv funcionar restaram frustradas.
No caminho de volta, dentro do ônibus, ouviu duas outras colegas conversarem. Sabe aquelas tv a cabo, só funciona se você por no AV da televisão, o técno me explicou. Cláudia reuniu os mesmo olhares pelos quais fora atingida de manhã e disparou contra elas.
Desceu no ponto final, mas ainda conseguiu assistir todas as novelas da noite.
Postado por
escravos de jó
às
17:04
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Éder Menegassi,
Nada a vê
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Carmo
Minha vizinhança
quero - a paz dos passarinhos - quero
tempestade e bonança
quero - a paz dos passarinhos - quero
tempestade e bonança
Postado por
escravos de jó
às
17:08
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Éder Menegassi,
Haikai
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
(Pag)ode à nova classe
Éder Menegassi
A velocidade das escadas rolantes estão aquém da nossa pressa.
Mendigos querem, exigem, pizza e churros. Portuguesa e doce leite.
Transformaremos nossa quebrada em bairro nobre nem que pra isso devamos ter aqui uma, uma... uma locadora! Só com clássico. É, superomi, batima, voverine. Só os loko, só os frenético. Aí é vida!
A gente ezige, porra! Uma biblioteca com vários cd de fank, que é pra gente treinar interpretação de texto.
Tú vem com a borracha
que eu abro o meu caderno
cdf, vem com tudo
faz verão no meu inverno
Molha o dedo na língua
e vai virando a folha
Vê se me rabisca toda
antes que o lápis encolha
Interpretação do que? Céloko. Sou mais umas oficina pra nóis tuná as nave. Aí é vida! É disso que eu tô falando!
Ixi ó, suave. Arrumei um trampo novo. Firma de marketing. O que vai funcionar lá. Eu mesmo trampo na obra.
Segunda à sexta, suave. Fim de semana é só no rolê. As novinha tudo querendo, mulekote.
Aí é vida! É disso que eu tô falando!
Os pais preocupados resolvem agir. Faixa esticada na rua principal: Aviso aos filhos: Disparos à noite, esgoto à céu aberto, biblioteca sem livros.
Nada alude à prosperidade do nosso futuro. Consumamos.
Postado por
escravos de jó
às
17:24
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Éder Menegassi,
ode à nova classe
Assinar:
Postagens (Atom)
